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Maria Teresa Horta

  • Writer: Patrícia Ervilha
    Patrícia Ervilha
  • Nov 2, 2015
  • 2 min read

No âmbito da inauguração do espaço Leiria Convida, a Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, na pessoa da vereadora da educação, Anabela Graça, deixou o desafio: pensar uma intervenção para a Maria Teresa Horta.

Face à grandeza do mesmo, resolvi escrever, jamais arriscaria o improviso. Deixo aqui a carta que escrevi a Maria Teresa Horta no dia 30 de Outubro e que tive oportunidade de ler perante a escritora, no dia 31 de Outubro.



Minha querida Maria Teresa Horta.


Chamo-me Patrícia. Tenho 41 anos. Tantos como a Revolução de Abril.


Não vivi a ditadura mas conheci-a. Não paguei o preço da liberdade mas percebi-o. Não sei quando, percebi o que um conjunto de pessoas me explicou. Se hoje eu, como tantas da minha geração, reconhecemos o valor da justiça, da igualdade e da luta, é graças a pessoas como a Maria Teresa Horta.


Não sei bem onde começam as minhas memórias de si mas tenho a sua imagem guardada em mim, com profunda admiração e com aquela sensação de inveja que nos leva a querer ser também um pouco assim. Vejo-a a preto e branco, bonita, serena, a fumar um cigarro.


Maria Teresa Horta cumpri todos os meus deveres cívicos. Associei-me, movimentei-me, critiquei, trabalhei voluntariamente. Plantei tantas árvores, fiz o filho e até escrevi o livro. Fui a 1ª mulher/menina presidente da associação de estudantes da escola secundária que frequentei, a ESALV. E só mais tarde percebi a importância de o ser. Passaram-se muitos anos até que outra mulher / menina aparecesse.


Percebi que uma enorme parte da minha identidade reside no facto de ser mulher. Talvez toda a minha identidade. E consigo aprendi que a igualdade pela qual as mulheres lutam diariamente, anonimamente, não nos retira qualquer traço, qualquer feminilidade, não nos retira nada nem nos iguala aos homens. Aprendi que às mulheres são devidas as mesmas oportunidades que os homens tiveram e têm. E por isso, hoje escrevo no feminino.


E no feminino lhe pergunto, Maria Teresa Horta, porque é que o meu país não nos ajudou? Porque morrem tantas mulheres agredidas pelos companheiros, porque precisamos de quotas nos partidos, porque o nosso trabalho vale menos? Porque continuamos a assumir a casa e a família como nosso exclusivo? Porque somos nós próprias tantas e tantas vezes que perpetuamos a desigualdade? Porquê?


Bem-haja por ser quem é.

Patrícia Ervilha

Fotografias: Sandra Costa, Câmara Municipal de Leiria

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